“EU JÁ PASSEI POR ISSO TAMBÉM”: PERCORRENDO A REDE DE ATENDIMENTO ÀS MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA EM MATO GROSSO
Resumo
O presente trabalho pensa em violências, no plural; isso por se tratar de um processo que não acaba mesmo quando a mulher em situação de violência recorre à rede pública de saúde e/ou assistência social, mas se dá em vários âmbitos de inserção social, inclusive nos equipamentos públicos que deveriam, em teoria, acolher, oferecer espaços terapêuticos e prevenir tais violências. Os dados aqui colocados são frutos de uma pesquisa a qual teve sua coleta no segundo semestre de 2019 e durante o ano de 2020, em um município de médio porte do estado do Mato Grosso, na qual realizamos dezessete entrevistas com profissionais da rede de saúde e assistência social. Quanto a análise dos dados obtidos, utilizamos a metodologia foucaultiana da análise de discurso, a qual se propõe a investigar e problematizar as relações de saber/poder estabelecidas no meio social, além disso fizemos o uso de literaturas feministas inseridas no campo da ciência psicológica social. A partir da análise, percebemos que existem inúmeras dificuldades que atravessam os serviços públicos que acolhem e atendem à mulher em situação de violência, sendo uma delas o sucateamento da rede, unida ao adoecimento e compartimentalização das equipes, acabando por gerar outro tipo de violência durante o percurso, que aparece na falta de atendimento e suporte na rede como um todo. A psicologia, mostrando-se enquanto uma ciência que se dá não apenas num nível psicológico, mas também social, intenta levantar um debate reflexivo aos profissionais em saúde e assistência social e, ainda, à população num geral, levando-os às desconstruções que desnaturalizem práticas culturais machistas, opressoras e que performam relações de poder/saber sobre a mulher, seu corpo e seu desejo, manifestadas nos ditos e não-ditos no dia-a-dia do trabalhador em saúde e assistência social.
Palavras-chaves: Mulheres; Violência; Rede; Saúde; Feminismo.