ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO NA PEDIATRIA JUNTO A CRIANÇAS QUE SOFRERAM ABUSO SEXUAL: MUITO ALÉM DAS FERIDAS VISÍVEIS

Autores

  • Bárbara Melli Arist
  • Thainan Roberta Rocha Moraes
  • Maria Beatriz Bastos Parraga

Resumo

Neste ensaio teórico, é pensada e debatida a atuação do psicólogo no contexto hospitalar, mais especificamente na pediatria, junto a crianças que sofreram abuso sexual. Leva-se em consideração o aporte teórico da Psicologia da Saúde e Hospitalar, protocolos, diretrizes, códigos, leis e resoluções que orientam a atuação desse profissional junto a crianças na busca pelo cuidado, prevenção de agravos e garantia dos direitos infantis. Para tal, foram consultados e examinados textos em formato de livros, cartilhas e periódicos que abordam a violência sexual infantil, a atuação psicológica nos hospitais, nas pediatrias e como a violência sexual interfere no desenvolvimento e na saúde da criança, articulando por fim reflexões sobre os deveres e a prática do psicólogo no manejo desse fenômeno complexo. De acordo com o estudo desenvolvido, foi identificado que o abuso pode gerar comprometimento da saúde mental e física da criança, desestruturação familiar, julgamentos, descrença, culpabilização, gravidez indesejada e a possibilidade de contrair infecções sexualmente transmissíveis. Muitos são os sintomas que podem ser desenvolvidos após a violência, tendo como destaque a baixa autoestima, comportamento sexualizado, dificuldade de relacionamento e ansiedade ou tristeza constante. No cenário da hospitalização a criança pode sofrer ainda um duplo trauma, visto que o ambiente hospitalar é conhecido como hostil. Nesse sentido, cabe ao psicólogo na pediatria acolher a criança, não revitimizar (e garantir essa não revitimização), escutar, dar lugar para a vazão dos sentimentos, reforçar à criança que sua fala é respeitada, que existem maneiras de existências e relações saudáveis, caminhando no sentido de empoderar o infante e mostrar-lhe que existem possibilidades de transformação a partir da desconstrução e, consequentemente, reconstrução. É preciso, também, que o psicólogo esteja em constante articulação com a rede, com os familiares e tenha participação ativa e crítica na sociedade, promovendo ações de sensibilização e conscientização sobre o tema.

Palavras-chave: Violência sexual infantil; Atuação psicológica nos hospitais; Atendimento psicológico com crianças.

Downloads

Publicado

08-02-2022

Edição

Seção

TCC'S