INDÚSTRIA DA BELEZA E MÍDIAS SOCIAIS: UM ESTUDO SOBRE O PAPEL DAS REDES SOCIAIS NOS PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO DE MULHERES
Resumo
O presente artigo problematiza os impactos dos padrões estéticos do século XXI sobre a saúde mental das mulheres brasileiras. O objetivo consiste em analisar como esses ideais corporais, construídos histórica, social e culturalmente, incidem sobre a subjetividade feminina, por meio de uma revisão integrativa da literatura de caráter qualitativo e abordagem exploratória-explicativa. A análise dos materiais selecionados, fundamentada no referencial foucaultiano, evidencia a mercantilização midiática e o funcionamento das plataformas digitais como panópticos de vigilância corporal, bem como um cenário de adoecimento
mental materializado pela busca por procedimentos estético-cirúrgicos normatizados. Ademais, constata-se a operação do dispositivo do racismo estético, o qual gera uma dupla desumanização e sofrimento psíquico estrutural na mulher negra ao impor a branquitude como modelo universal de desejabilidade. Conclui-se que a pressão estética configura um dispositivo de biopoder que produz sofrimento psíquico, demandando da psicologia uma prática clínica-política ética e estritamente atenta aos atravessamentos socioculturais contemporâneos.
Palavras-chave: Estética; Mulheres; Racismo.