AS IMPLICAÇÕES DO RACISMO NA SAÚDE MENTAL DE MULHERES NEGRAS DIANTE DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA
Palavras-chave:
Racismo, Saúde mental, Mulheres negras, Violência obstétrica, InterseccionalidadeResumo
Este artigo tem como objetivo analisar como a violência obstétrica impacta a saúde mental de mulheres negras, evidenciando sua relação com o racismo estrutural. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com análise documental dos documentários de domínio público “Irô – Violência obstétrica contra mulheres negras” e “A dor reprimida: violência obstétrica e mulheres negras”, que apresentam relatos diretos das vítimas. A partir da análise interseccional desses materiais, observa-se como práticas racistas e discriminatórias se manifestam no atendimento obstétrico, afetando a subjetividade, a autonomia e o bem-estar emocional dessas mulheres. O estudo demonstra que a violência obstétrica ultrapassa o âmbito individual, configurando-se como uma expressão de desigualdades estruturais que atravessam gênero, raça e classe. Verifica-se que o racismo institucional e o controle sobre a maternidade das mulheres negras resultam em negação de direitos, desumanização e sofrimento psicológico, com impactos diretos sobre a saúde mental e a dignidade feminina. Assim, a violência obstétrica é uma forma de violência física, simbólica e psicológica, que reforça hierarquias sociais e legitima a desvalorização de determinadas vidas, evidenciando a necessidade de práticas obstétricas humanizadas, equitativas e antirracistas.