IMPACTO DO USO VOCAL PROLONGADO EM CANTORES LITÚRGICOS: UMA ANÁLISE DA FADIGA VOCAL
Resumo
A voz é um dos principais meios de comunicação humana e resulta da integração entre fatores anatomofisiológicos, como a coordenação entre os sistemas respiratório, fonatório e articulatório. A voz cantada, em especial, exige maior controle respiratório, amplificação sonora e uso intensificado das cavidades de ressonância, demandando esforço muscular adicional. No contexto religioso, o canto litúrgico é tradicionalmente utilizado como expressão de fé e forma de união entre os fiéis. Atualmente, observa-se uma diversidade de formações vocais e estilos musicais nas celebrações da Igreja Católica, o que exige uso vocal frequente e, muitas vezes, sem orientação técnica adequada. Esse uso prolongado da voz sem orientação específica pode favorecer o surgimento de alterações vocais, sendo a fadiga vocal uma queixa recorrente, com repercussões na qualidade vocal e, consequentemente, na qualidade de vida dos cantores. Objetivo: Analisar a presença de fadiga vocal em cantores litúrgicos após o uso vocal prolongado durante celebrações religiosas, identificando fatores associados, como frequência de uso vocal, ausência ou presença de cuidados vocais específicos e tempo de atuação na atividade litúrgica. Métodos: Foi utilizado como método principal a pesquisa de campo, de abordagem quantitativa, com caráter descritivo e analítico. A coleta de dados foi realizada virtualmente, por meio de um formulário disponibilizado na plataforma Google Docs. Os participantes foram submetidos a um procedimento avaliativo que incluiu a avaliação da fadiga vocal e a coleta de informações pessoais, abrangendo a profissão, o tempo e a frequência de atuação como cantor na igreja, o estado vocal ao final do dia, bem como o histórico de problemas respiratórios e gastrointestinais. Foi aplicado também instrumento específico para avaliação vocal: a autoavaliação da fadiga vocal (Índice de Fadiga Vocal - IFV). Resultados: Foram avaliados 37 cantores, sendo 23 mulheres e 14 homens, com idade média de 38,4 anos. A frequência de sintomas de fadiga vocal mostrou-se significativamente elevada, embora predominantemente de intensidade leve, sendo mais comum em cantores que não praticam técnicas vocais, que representaram 56,8% da amostra. No instrumento Índice da Fadiga Vocal (IFV), o aspecto de Recuperação com Repouso Vocal foi o domínio que apresentou maior escore, com média de 3,04 pontos por item. Conclusão: A prevalência de sintomas de fadiga vocal mostrou-se significativamente elevada, apresentando correlação com o déficit na prática de exercícios vocais quando comparada ao grupo praticante, o qual demonstrou menor ocorrência de sintomas de fadiga vocal. Dessa forma, verificou-se a importância do acompanhamento fonoaudiológico nessa área, tanto para a prevenção de futuras disfonias quanto para a melhoria do desempenho e da qualidade vocal durante o canto.