AUTOPERCEPÇÃO DA SAÚDE VOCAL DE PROFESSORES DE UMA ESCOLA QUILOMBOLA
Resumo
Os professores estão expostos a vários fatores de risco ocupacionais relacionados ao ambiente de trabalho por serem os profissionais que mais usam a voz em sua comunicação. Alguns hábitos e mau uso da voz acabam causando uma sobrecarga vocal e acredita-se que qualidade vocal não está relacionada apenas com ausência de alteração, mas sim com bem-estar geral do individuo. Tais fatores que contribuem para o aparecimento de problemas vocais nos professores estão relacionados ao uso inadequado da voz, sobrecarga vocal, hábitos inadequados como consumo de álcool, cigarros, medicamentos, barulhos externos e internos, salas com acústica inadequada, causando sintomas como fadiga, dificuldades ao falar, rouquidão, voz baixa e maior esforço para falar. Objetivo: Descrever a autopercepção da saúde vocal de professores de uma escola quilombola da Comunidade Mata Cavalo no município de Nossa Senhora do Livramento em Mato Grosso. Métodos: As professoras responderam ao questionário Condição de Produção Vocal de Professor - CPV-P composto por 62 questões e o Protocolo de Qualidade de Vida e Voz (QVV) composto por dez questões relacionados nos domínios físico e socioemocional. Tendo a participação de 18 professoras que responderam aos questionários, estes, trabalham com alunos do ensino fundamental, médio e Educação de Jovens e Adultos - EJA, com carga horária variando entre 10hs à 30hs semanais, com média de idade entre 43,23 anos. Resultados: Todas as professoras referiram trabalhar em uma única escola, o tempo médio de atuação com docência foi de 152 meses, o que equivale a 12 anos, e o tempo médio de permanência com os alunos por semana foi de 15 horas. Os fatores de riscos para voz autoreferidos foram: levar trabalho sempre para casa (39%) e a falta de local de descanso apropriado na escola (27%). Dentre os hábitos vocais, as professoras sempre bebem água (82%), as vezes bebem bebida alcoólica (50%), falam muito (71%) e falam em lugar aberto (71%). Quanto aos sintomas vocais, as vezes apresentam falha na voz (50%), as vezes há presença de rouquidão (61%) e as vezes apresentam pirrago (66%). Foi possível observar a autoavaliação vocal por meio do Protocolo de Qualidade de Vida e Voz (QVV) com escore socio-emocional em 89,36, sendo pior do que o escore físico com 90,27. Conclusão: O estudo destacou desafios significativos relacionados à saúde vocal, como carga de trabalho intensa, falta de estrutura para descanso e exposição a condições ambientais desfavoráveis. Sintomas comuns como pigarro, garganta seca e rouquidão foram mais prevalentes, ressaltando a necessidade urgente de intervenções educativas sobre cuidados vocais. A acessibilidade a serviços de fonoaudiologia e investimentos em pesquisa colaborativa são fundamentais para promover um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo para esses profissionais.